Por que o carro produzido no Brasil continua entre os mais caros do mundo?
Entenda como impostos elevados, baixa escala de produção e dependência do dólar afetam a indústria automotiva nacional, criando um paradoxo que impacta o setor e a economia.
BOLETINS
12/21/20251 min read


O Brasil reúne fábricas altamente modernas, produz veículos de marcas tradicionais há décadas e, mais recentemente, tornou-se estratégico para montadoras chinesas. Ainda assim, o país permanece no topo do ranking global de carros mais caros. O motivo não está na qualidade da produção, mas em uma combinação de fatores estruturais que afetam toda a cadeia automotiva.
O principal deles é a carga tributária. Em média, cerca de 45% do valor de um carro novo corresponde a impostos, o que eleva significativamente o preço final ao consumidor. Esse peso fiscal faz com que veículos produzidos no Brasil, com custo industrial semelhante ao de outros países, cheguem muito mais caros às concessionárias.
Outro entrave importante é a baixa escala produtiva. Apesar do tamanho do mercado interno, o volume fabricado ainda é pequeno em comparação a países que produzem para exportação em massa. Com menos unidades, os custos fixos não são diluídos, encarecendo cada veículo.
A dependência de componentes importados, especialmente eletrônicos, também influencia diretamente os preços. Como esses itens são cotados em dólar, qualquer oscilação cambial impacta o custo final. Para se proteger de instabilidades, as montadoras embutem margens de segurança nos valores.
Por fim, a burocracia logística contribui para o problema. Atrasos na liberação de cargas e interrupções operacionais geram custos extras que acabam repassados ao consumidor. Assim, o carro brasileiro não é caro por ser mal feito, mas por ser produzido em um ambiente econômico complexo e oneroso.