Como Surgiu a Descoberta da Ansiedade: A História de um Sentimento Humano Universal
A ansiedade é um sentimento humano antigo. Hoje entendida pela psicologia e medicina, sua longa história revela que sentir ansiedade sempre fez parte da vida humana.
CURIOSIDADESSAÚDE
11/23/20253 min read
Como Surgiu a Descoberta da Ansiedade: A História de Um Sentimento Humano Universal
A ansiedade é um dos sentimentos mais comuns da vida moderna, mas a verdade é que ela acompanha a humanidade desde os tempos mais antigos. Embora hoje seja vista como um conjunto de transtornos estudados pela psicologia e pela medicina, o caminho até essa compreensão foi longo e cheio de transformações. Entender essa história ajuda a desmistificar o tema e mostrar que sentir ansiedade não é algo novo — é humano.
Antiguidade: Os Primeiros Sinais do Que Seria a Ansiedade
Os sintomas da ansiedade foram registrados muito antes de receberem esse nome. Civilizações como egípcios, gregos e romanos já descreviam pessoas com coração acelerado, falta de ar, medos sem causa e aperto no peito. Hipócrates, considerado o pai da medicina, falava sobre estados de “melancolia” e “pânico”, fenômenos que hoje se aproximam do que conhecemos como crises de ansiedade.
Nessa época, os sinais já existiam, mas ainda não eram compreendidos de forma científica.
Idade Média e Renascimento: Explicações Espirituais e Morais
Durante muitos séculos, os sintomas da ansiedade eram interpretados por uma ótica religiosa ou moral. Com a medicina pouco desenvolvida, acreditava-se que sentimentos intensos, como o medo descontrolado, eram resultado de:
fraqueza espiritual,
questões morais,
influências demoníacas,
ou punições divinas.
Ainda não se imaginava que ali existia um mecanismo natural do cérebro reagindo a ameaças — reais ou não.
Século XIX: O Nascimento da Psicologia Moderna
A partir do século XIX, a ansiedade começou finalmente a receber atenção científica. O médico Jean-Étienne Esquirol, em 1838, descreveu um estado chamado “ansiedade mórbida”, reconhecendo que muitos sintomas não eram simples emoções, mas sinais de algo maior.
Pouco depois, o termo “neurastenia” passou a ser usado para descrever exaustão, nervosismo e inquietação — condições muito parecidas com o que hoje chamamos de ansiedade. Essa fase marca o início do estudo médico real da ansiedade como um fenômeno psicológico.
Freud e a Primeira Teoria Psicológica da Ansiedade
No final do século XIX, Sigmund Freud trouxe a primeira explicação psicológica estruturada sobre a ansiedade. Ele foi um dos primeiros a perceber que a ansiedade podia surgir tanto de ameaças externas quanto internas — ligadas a conflitos emocionais, traumas e desejos reprimidos.
Para Freud, a ansiedade poderia se dividir em:
ansiedade realística, ligada a perigos reais;
ansiedade neurótica, ligada a conflitos internos;
ansiedade moral, relacionada à culpa.
Mesmo que parte de suas teorias tenham sido revisadas, sua contribuição abriu portas para o estudo profundo da mente humana.
Século XX: A Ansiedade Se Torna Um Transtorno Reconhecido
Com o avanço das ciências médicas, a ansiedade deixou de ser vista apenas como emoção e passou a ser entendida como uma resposta fisiológica do organismo. O cérebro, por instinto, entra em modo de alerta quando sente ameaça — mesmo que essa ameaça não exista de verdade.
A virada definitiva aconteceu nos anos 1980, quando o manual psiquiátrico DSM-III classificou a ansiedade como um conjunto de transtornos, entre eles:
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG),
Síndrome do Pânico,
Fobias,
TOC,
Estresse Pós-Traumático.
A partir daí, é criado o modelo moderno que usamos até hoje para entender, diagnosticar e tratar a ansiedade.
Conclusão: A Ansiedade Sempre Existiu — a Ciência é Que Evoluiu
A ansiedade acompanha a humanidade desde o início da civilização, mas a maneira de compreendê-la mudou radicalmente ao longo do tempo. De explicações espirituais na Idade Média à classificação científica no século XX, o que conhecemos hoje como transtorno de ansiedade foi fruto de séculos de observações, estudos e descobertas.
Entender essa história ajuda a reduzir o tabu e mostra que sentir ansiedade não é sinal de fraqueza — é parte da nossa biologia. Com conhecimento, apoio e tratamento adequado, é possível lidar com ela de forma saudável.